Desde miúdo que quis praticar uma arte marcial mas, por razões que só posso atribuir às distracções com que a vida nos depara (muitas delas negativas, na minha própria existência), nunca cheguei a fazê-lo. Agora, perto dos meus 30 anos, não decepcionei a criança que outrora fui, decidindo experimentar "algo". E não poderia ter tido mais sorte, quer na arte/estilo escolhido, quer na Academia e colegas (agora amigos!) que encontrei. Pois foi tudo tão rápido que só posso sentir-me agradecido por ter sido bafejado pela sorte.
Ainda no passado mês de Dezembro andava à deriva até que decidi começar à procura da minha arte marcial. Confesso que nunca gostei do contacto que alguns estilos apresentavam, como Judo ou Jiu-jitsu, nem de nada porventura "demasiado" físico/marcial (se bem que agora, passados 5 meses desde o começo do meu "do", comece a sentir curiosidade). Visualizei alguns vídeos de diferentes artes marciais e fiquei entre o Taekwondo e o Kung Fu. Porém, a espectaculosidade e a fluidez dos movimentos do Taekwondo seduziram-me logo. Não procurei mais, aquela era a minha arte e só me faltava encontrar um dojang rapidamente. Encontrei-o, à primeira tentativa, e já é a minha segunda casa.
Sou cinto branco, de uma orgulhosa brancura, de espírito aberto ao ensinamento do meu mestre e dos meus colegas. Taekwondo é vida, literalmente. Muitas das lições que tenho aprendido são transpostas para o dia-a-dia. E talvez por sempre ter ido à procura do sentido filosófico de tudo com que me depara a vida, reflexiono bastante sobre o que estou a fazer. Procuro perceber a sua história e filosofia, explorando cada vertente ela seja física ou mental, ainda que por vezes - tenho que admiti-lo - me perca em divagações que me retira um pouco de disciplina comportamental. Quer dizer, na minha condição deveria centrar-me em executar correctamente as primeiras técnicas e repeti-las vigorosamente e conscienciosamente. Claro que nada do que tenho explorado - alongamentos, saltos, endurecimento, etc. - sejam um desperdício mas, como disse, devia centrar em executar correctamente as técnicas que me são exigidas na minha graduação. Não que me falte disciplina ou dedicação. Nos treinos sou humilde e obediente ao meu mestre; no tempo livre que tenho do dojang gosto de, basicamente, explorar o meu corpo e ir além dos limites.
Passados 5 meses posso dizer que já consigo "brincar" um pouco com o meu corpo e a sensação é gratificante, acompanhada por vezes de arrepios de felicidade quando a flexibilidade (cada vez mais) me permite esticar ou levantar as pernas a limites em Dezembro impensáveis, quando as minhas ancas "dançam" e executam um dollio tchagui decente ou quando começo a ganhar consciência de cada ínfimo músculo, como usa-lo, como trabalha-lo. A confiança, dentro ou fora do dojang, eleva-se à estratosfera. Alguns dias caminhei para a Academia porventura cansado, aborrecido com algo, mas tudo se evapora ao entrar no dojang. É como se através do suor exorcizasse todos os males que afligem a alma. E regresso a casa em paz, de sorriso nos lábios. Sinto-me novamente uma criança e, sem vergonha alguma, confesso que muitas vezes que apetece fazer o caminho para casa a passo de "Jardim da Celeste"
É difícil exteriorizar, em monólogo, o que o Taekwondo me tem proporcionado. É tudo isto que escrevi e muito mais. E esse é o objectivo desta espécie de diário: contar-vos o meu caminho. Cada um terá o seu mas a partilha é importante e talvez inspire alguma "criança adulta" a acreditar que nunca é tarde demais.

Para um cinto branco, palavras muito sinceras e de uma dimensão bastante maior. Continua a treinar com afinco e a divagar sempre que possível. O Taekwondo é uma actividade física, uma arte marcial, mas acima de tudo uma Filosfia de vida, um modo de estar. Por esse facto, permite-nos viver e experienciar as coisas de um modo completamente próprio e muito diferente de tudo o resto que já tenhamos vivido.
ResponderEliminarContinuação de bons treinos na companhia da tua 2ªfamilia e talvez nos encontremos um dia pelos caminhos que o Taekwondo trilha.
Saudações marciais.
Obrigado Tiago!
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