O Taekwondo alberga a virtude de me simplificar a vida. É porventura a frase que poderia capitular e resumir o balanço de um ano a praticar esta arte marcial. Com efeito, no passado dia 16 de Dezembro cumpri um ano de treinos, amizade e muita reflexão. No plano físico ganhei imenso; no mental, apesar dos ganhos óbvios de praticar uma arte marcial, continuo a longa odisseia de lutar contra mim mesmo. Um dia conquistarei a minha mente e o meu coração e, quando o fizer, controlarei as minhas emoções. Raiva, tristeza, alegria, são tudo sentimentos que escolhemos sentir. Através da concentração que nos é exigida, o Taekwondo permite-me gerir as emoções do dia-a-dia, minimizar os problemas quotidianos - relativizando-os - e afrontar com coragem os meus medos até que estes se desvaneçam, confinados finalmente à sua insignificância.
O cinto amarelo que me abraça em cada treino é agora mais maduro. Acredito que seja uma graduação que coloca à prova a nossa paixão pela arte. É neste degrau que percebemos se é mesmo isto que queremos fazer, se é este o nosso caminho. Como um limbo. O próximo degrau, o verde, irá colocar à prova essa paixão declarada, expondo se temos determinação suficiente para elevar a fasquia de exigência técnica, física e, sobretudo, mental. Pois, como tudo na vida, não chega amar: é preciso cuidar e não descurar. A paixão é turbulenta, rápida, efémera. É como o início de qualquer relação amorosa. Tudo é novo, vívido, imediato. Passada a euforia, fica ou não o amor. E é nessa fase amorosa que me encontro: já não sou um simples apaixonado e quero amar o Taekwondo. Quero que faça parte da minha vida para sempre. Agora é, como dizem, a sério.
